Um dos mais rumorosos escândalos com origem no Hospital Santa Casa de Rio Grande, envolvendo a entrega dos serviços funerários para uma empresa à época sediada na cidade de Joinville (SC), em 2017, seguiu apresentando desdobramentos, resultando agora na venda de todo o patrimônio em um leilão. A empresa daquela época tinha ramificações por vários lugares, inclusive em Pelotas. O caso, que envolvia fatos estranhos, foi denunciado exaustivamente pelo Site Edson Costa Repórter ao longo de vários anos. Tido como “a galinha dos ovos de ouro” o arrendamento dos serviços por vinte anos mereceu até a instalação de procedimento investigativo no âmbito do Ministério Público Estadual. Contudo, a situação, mesmo com o clamor popular contra a negociação iniciada naquela época, resultou no que muitos já imaginavam.

Nesta sexta-feira (3), a cúpula da Santa Casa de Rio Grande resolveu liberar uma pequena nota, anunciando ter dado “mais um passo importante em seu processo de recuperação judicial, instaurado em 2022, com a realização do leilão do cemitério”. O espaço, que fazia parte dos ativos destinados à venda, foi arrematado com a participação no negócio do atual arrendatário. A Santa Casa, mergulhada em dívidas que já passam de R$ 500 milhões, anuncia que o dinheiro do leilão servirá para iniciar o pagamento de dívidas trabalhistas. Apressou-se a direção em afirmar que os jazigos já existentes não serão afetados com o leilão. Durante décadas, a arrecadação com os serviços funerários manteve em dia muitas despesas do Hospital Santa Casa.

O lance inicial do leilão foi de R$ 30 milhões, sendo que R$ 20 milhões já haviam sido depositados. Capelas mortuárias, crematório, cemitérios Católico e Ecumênico, fazem parte do patrimônio leiloado. O negócio envolve muitos interesses comerciais da chamada “indústria da morte”. Uma empresa de Rio Grande, recentemente aberta, venceu o certame, o que ainda deverá apresentar desdobramentos em diferentes esferas.

CREMATÓRIO

Um grande crematório, descarregado no dia 25 de março de 2020 no cemitério localizado na Rua 2 de Novembro, em plena pandemia, e meses depois autorizado a entrar em funcionamento, faz parte da venda em leilão. Adquirido da empresa Enge Aplic, fabricante de incineradores e fornos crematórios sediada em São Paulo, o crematório foi comprado por cerca de R$ 1,5 milhão à época pela Marcelino Construções Ltda, proprietária da então empresa gestora do cemitério de Rio Grande. Ailton Gonçalves Marcelino– que fez à época o arrendamento integra o quadro associativo da empresa Paf Gestão de Ativos, agora vencedora do leilão.

(Foto: Site Edson Costa Repórter)