Os médicos da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Junção decidiram restringir os atendimentos aos casos classificados como de urgência e emergência, medida que passa a valer já na próxima sexta-feira, dia 30.
ENTENDA A SITUAÇÃO
A decisão tem como causa os constantes atrasos no pagamento dos honorários médicos e da ausência de garantias concretas de regularização por parte da empresa contratante, o Instituto Brasileiro de Saúde, Ensino, Pesquisa e Extensão para o Desenvolvimento Humano– IBSaúde.
“A deliberação acontece após vários meses de negociações e promessas não cumpridas, que já haviam motivado movimentos semelhantes no início do ano”, revelou nesta quinta-feira (22) o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers). O sindicato gaúcho e o Sindicato dos Médicos de Rio Grande (Simerg) confirmaram que os profissionais deixarão de atender as fichas verdes e azuis, ou seja, casos de menor complexidade, como dores leves, sintomas gripais, demandas administrativas e queixas sem risco imediato à vida.
A orientação dos sindicatos é que os pacientes com sintomas que não configurem urgência ou emergência procurem atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), que segundo eles possuem estrutura adequada para esse tipo de demanda.
Os atrasos no pagamento dos médicos estão ocorrendo desde dezembro do ano passado. Os valores de fevereiro foram pagos parcialmente, e os meses de março e abril seguem em aberto, revelam. “Além disso, há relatos de ausência de contrato formal entre médicos e a empresa administradora, o que agrava ainda mais o cenário de insegurança jurídica e instabilidade no serviço prestado à população”.
Na última reunião com a Secretaria de Saúde de Rio Grande, dia 5 de maio, a gestão municipal informou que os pagamentos ao IBSaúde estariam condicionados à entrega de documentação pendente por parte da empresa. Contudo, nenhuma garantia foi apresentada aos médicos sobre a regularização do pagamento dos honorários.
INSEGURANÇA CONTRATUAL
“Não é possível manter o funcionamento regular da unidade sem o mínimo de segurança contratual e financeira para os profissionais de saúde”, frisam os dois sindicatos.
Simers e Simerg alertam que a população de Rio Grande deve estar atenta à nova dinâmica de atendimentos a partir do dia 30 de maio e procurar as UBSs para os casos de menor gravidade. “A assistência a pacientes em risco de vida ou com necessidade de atendimento urgente seguirá realizada normalmente na UPA Junção”, afirmam as entidades, indignadas com a falta de solução para o problema. O presidente Marcelo Mathias, do Simers, disse ao Site Edson Costa Repórter que existe uma preocupação muito grande com a situação enfrentada na UPA Junção e defendeu a união de todos para encontrar soluções diante dos problemas.
(Foto: Site Edson Costa Repórter/Divulgação)

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