Um dos temas de maior interesse nos últimos tempos em Rio Grande, a indústria naval, apresentou desdobramento. Após percorrer um longo caminho, a recuperação judicial da empresa Ecovix foi aprovada. O encerramento da recuperação judicial foi autorizado pela juíza Fabiana Gaier Baldino, da 2ª Vara Cível da comarca de Rio Grande. A decisão da magistrada encerra um importante capítulo do assunto envolvendo a controladora do Estaleiro Rio Grande (ERG). Ela argumentou em sua sentença estar convencida de que a recuperação judicial estava apta ao encerramento.

As dívidas da empresa, segundo o que foi apurado, sinalizavam o montante de R$ 8 bilhões. Houve a diminuição para aproximadamente R$ 1,5 bilhão. A informação é que do montante, até o momento, houve a quitação de R$ 100 milhões. Foram quase dez anos de tramitação dos trabalhos envolvendo a recuperação judicial da Ecovix. A juíza de Rio Grande entendeu que a finalidade da Lei de Recuperação Judicial e Falências foi plenamente cumprida ao longo de praticamente uma década, envolvendo mais de 1.700 eventos processuais.

O objetivo da recuperação judicial é tornar viável a superação em torno da crise econômico-financeira do devedor. Isto permitirá a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores, preservando a empresa, sua função social e o estímulo à atividade econômica.

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Os investimentos no porto de Rio Grande começaram em 2010, quando a empresa venceu a concorrência da Petrobras para a montagem de plataformas de petróleo. Foi em dezembro de 2016 que a Ecovix deu entrada no pedido de recuperação da empresa, após forte turbulência gerada pela crise instalada no setor naval brasileiro.

Já em meados de junho de 2018, os credores da Engevix Construções Oceânicas (Ecovix) aprovaram o plano de recuperação judicial da empresa. Houve polêmica, inclusive foi registrado o voto contrário dos representantes do governo federal (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Petrobras). O plano de recuperação apresentado acabou deferido dois meses depois, em agosto daquele ano. Em janeiro de 2023, os credores, em meio às fortes discussões, aceitaram um aditivo. O escritório Medeiros & Medeiros foi o administrador judicial do processo e considerou que a decisão proferida representa um grande marco para a empresa Ecovix. A juíza Fabiana Gaier Baldino, segundo a direção da empresa, atuou com grande firmeza e sensibilidade no processo.

(Foto: Divulgação/Site Edson Costa Repórter)