Rio Grande está na área endêmica para a esporotricose, uma infecção que atinge animais e humanos e que pode ter agravamento se não for tratada. O alerta foi feito nesta sexta-feira (1º) pelo Hospital Universitário (HU-Furg) com base nos estudos do Grupo de Micologia Médica da Faculdade de Medicina, coordenado pela professora Melissa Xavier. As pesquisadoras Karine Sanchotene, Vanice Poester e Lívia Munhoz tinham evidenciado em suas teses a problemática humana e animal no extremo sul do Brasil, caracterizando o município de Rio Grande como “área hiperendêmica para a doença”.
A EXTENSÃO DO PROBLEMA
“Depois de um simples passeio, o gato volta com uma pequena ferida, aparentemente inofensiva. É só um arranhão, pensa o tutor. Mas os dias passam, e o machucado não cicatriza”. Em muitos domicílios, essa cena marca o início de uma longa caminhada até o diagnóstico da esporotricose, que se agrava caso não seja tratada. A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), responsável pela administração do HU, informou que o atendimento é gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A Rede de Assistência à Esporotricose Humana realiza assistência integral com equipe multiprofissional, notificações obrigatórias e ações educativas para prevenção e identificação precoce da doença. Segundo a infectologista e chefe da Unidade de Doenças Infecciosas e Parasitárias, Rossana Basso, “todo paciente que tenha uma lesão de pele, com evolução de mais de uma semana e que teve contato com gato apresentando lesão suspeita deve ser avaliado o mais breve possível, em virtude de estarmos em uma região hiperendêmica”. O uso indevido de medicações como antibióticos e antifúngicos atrapalha o diagnóstico correto.
Desde a implantação da rede, aproximadamente 300 pacientes já foram atendidos. Em 73% desses casos, houve confirmação da doença. Reforçou Rossana Basso que o antifúngico para o tratamento da esporotricose faz parte do componente básico da assistência farmacêutica do SUS. A esporotricose, um problema de saúde pública, é causada por fungos do gênero Sporothrix sp. A transmissão ocorre por duas formas: quando o fungo penetra na pele por meio de pequenos traumas com materiais orgânicos contaminados, como palha e madeira em decomposição, e por arranhões ou mordidas de felinos infectados. “Em humanos, a doença pode causar uma lesão única ou múltiplas lesões na pele, que se espalham ao longo dos vasos linfáticos. Nos gatos, a forma disseminada é mais comum”.
Conforme a enfermeira Bianca Blan, a esporotricose pode comprometer o bem-estar e as atividades diárias, gerando impactos na qualidade de vida, já que se manifesta de diferentes formas, desde uma lesão única na pele, com ou sem secreção, até múltiplas lesões que podem seguir o trajeto dos vasos linfáticos ou se espalhar por todo o corpo. Essas lesões podem estar associadas a manchas ou nódulos dolorosos, dores nas articulações e aumento dos gânglios.
A prevenção da esporotricose inclui o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) ao manusear materiais orgânicos ou felinos com lesões, além do encaminhamento imediato de casos suspeitos à rede de assistência.
(Foto: Site Edson Costa Repórter)

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