A morte de uma paciente que permaneceu dez dias internada na Santa Casa gerou denúncias à Ouvidoria do hospital, à Secretaria Municipal da Saúde, à Comissão de Saúde do Poder Legislativo e ao Ministério Público Estadual. Quem formalizou as queixas foi o viúvo, Carlos Roberto Coelho Wyse, aposentado que trabalha como arrumador no Porto de Rio Grande. Após o período inicial de luto pela morte de V.S.W., 67 anos, ele decidiu registrar as denúncias, acusando que a esposa foi vítima de descaso, negligência e outras falhas no atendimento da Santa Casa.
Segundo o denunciante, na Sala Amarela 2 não havia lençóis para cobri-la durante todo o período em que permaneceu sob cuidados médicos contínuos. A paciente ficava apenas com fraldas e o espaço era visível a todos, inclusive a pacientes do sexo masculino, pois não havia biombo. Para Carlos Roberto, isso configura falta de respeito e expôs V.S.W. e os familiares a constrangimento. Ele também relatou que a paciente teria sido levada sem roupas adequadas, em dia de frio, até a sala de Raio-X. Após o protesto dele, a mulher recebeu um avental transparente. “Houve exposição indevida de sua integridade e dignidade”, afirmou Carlos. O viúvo também questionou as condições da sala de Raio-X (foto), que classificou como insalubre e com risco à saúde dos pacientes. Ele fotografou o ambiente e anexou as imagens às denúncias. “Mofo nas paredes, restos de material de construção e sujidade generalizada”, descreveu.
A Rede Edson Costa Repórter de Jornalismo teve acesso às fotos e aos demais documentos que comprovam as denúncias. Houve ainda erro na declaração de óbito emitida pelo hospital. A causa da morte foi registrada com abreviatura e o Cartório de Registro Civil não aceitou o documento para emissão da Certidão de Óbito. Em meio à dor pela perda, a família precisou retornar ao hospital e exigir um novo documento, em conformidade com a lei. A Santa Casa está analisando as queixas registradas no Protocolo nº 2702. Em resposta, a Ouvidoria afirmou que a sala de Raio-X passava por adequações. Reconheceu que a execução de obras pode gerar transtornos temporários e aspectos estruturais indesejáveis no ambiente. Para Carlos Roberto, no entanto, isso não afasta a gravidade da exposição de pacientes a um local insalubre.
NO VELÓRIO, NOVO CONSTRANGIMENTO
Durante a cerimônia de despedida houve mais um episódio. A funerária que leva o nome “Santa Casa” depositou, por engano, duas coroas de flores destinadas a outra pessoa que estava sendo velada em capela diferente. Com o velório de V.S.W. já em andamento, a empresa precisou recolher as flores. O fato também foi fotografado. Carlos Roberto exige que a Santa Casa e a funerária adotem postura responsável e fiscalizem os serviços prestados. Ele pede que as autoridades determinem providências urgentes para reforma, higienização e adequação da sala de Raio-X e das demais dependências do hospital. Agora, a família aguarda as providências do Ministério Público e dos órgãos da área da saúde.
(Foto: Divulgação/Família)

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