Além da denúncia sobre atendimento de pacientes na base da “roleta russa”, foi sugerida na tarde desta segunda-feira (09) a prisão do administrador do Hospital Santa Casa de Rio Grande. A manifestação voltou a convulsionar a cúpula diretiva do hospital que amarga sua maior crise em 184 anos de existência após sofrer intervenção da prefeitura no dia 1º de abril de 2015.

O autor da sugestão de prisão do administrador hospitalar foi o vereador Benito de Oliveira Gonçalves, do Partido dos Trabalhadores (PT) ao falar irritadamente da tribuna da Câmara Municipal em sessão ordinária sobre o que denominou de “caos na Santa Casa”. Segundo as palavras do petista, “os médicos não estão atendendo ninguém mais”, sugerindo o que denominou de ‘roleta russa’. “Ser atendido é uma roleta russa”, referiu o vereador, ao tentar explicar suposto número reduzido de médicos no hospital, pela precariedade instalada.

ALGEMA E CADEIA

O vereador Oliveira Gonçalves, ao defender a prisão do administrador, não citou qual deles quer ver na cadeia, mas foi enfático ao pedir da tribuna “prisão, algema e cadeia”, reforçando ainda que alguém precisa “meter o pé na porta da Santa Casa, sem medo de nada”. Ele quer que o governador do RS, Eduardo Leite, venha a Rio Grande ver o que está ocorrendo com a Santa Casa. Denunciou um quadro de “incompetência, onde sai um e chega outro”, mas não consegue visualizar mudança na entidade.

ESCRAVIDÃO E FOME

O vereador mais votado de Rio Grande no último pleito vociferou ao denunciar o que chamou de “escravidão” no hospital. Disse que, além de estarem passando fome com o atraso de salário e de vale-transporte, “funcionários da Santa Casa não pedem mais ajuda, e sim clemência”. Ele soube que alguns estão recebendo um quilo de arroz e dividindo entre três colegas para poderem se alimentar. “A situação é de caos e ninguém age como deve agir”. Para ele, falta atuação dos órgãos de fiscalização, inclusive do ponto de vista humanitário.

Argumenta que a situação não se justifica, pois os repasses de recursos do estado e do município estão em dia. “Só falta darem na cara dos funcionários”, disse o legislador, condenando o que considera exagero nos novos regramentos disciplinares implantados no hospital. “Há um tratamento exagerado, e qualquer ato é considerado como indisciplina dos funcionários, com perigo de demissão”. Taxou o quadro como um regime de escravidão. O vereador prometeu ir até o hospital e fazer nova abordagem da situação.

Os administradores do hospital, Newton Elias Gonçalves, Claudinei Valim dos Santos, Luciano Ramos Lopes e Régis Pinto e Silva ainda não se manifestaram. O presidente da Santa Casa, bispo emérito Dom José Mário Stroeher, respondeu ao Site Edson Costa Repórter informando que se encontra em Brasília, tratando assuntos de interesse da Santa Casa. “Este vereador já disse muitas impropriedades sobre o nosso hospital, usando até termos de baixo calão”, finalizou Stroeher.