O Site Edson Costa Repórter inicia hoje a “Série Irresponsabilidade com a Vida”. São reportagens exclusivas obtidas a partir de dados oficiais contidos em documentos do governo federal, mostrando desleixo da direção da Santa Casa de Rio Grande com a segurança de funcionários.
O FATO
No dia 22 de novembro do ano passado, às 18h30, a queda de um elevador de carga prensou e por pouco não causou a morte de uma técnica de Enfermagem, de 39 anos, quando colocava uma caixa no interior do equipamento para ser levada ao pavimento inferior. O elevador, responsável pelo deslocamento de material usado no Centro Cirúrgico para a Central de Material Esterilizado (CME), fica na chamada “área suja” do Centro Cirúrgico, onde são descartados ou enviados para lavagem e esterilização os materiais utilizados. O elevador despencou, prensando a trabalhadora entre o parapeito da porta e o vão.
A médica Mara Campelo, após o acidente, confirmou que a funcionária ficou com metade do corpo para fora e o restante na parte interna do elevador, trancando a descida do equipamento. Houve pânico dentro do hospital naquela noite. “Vieram em nossa ajuda muitas pessoas e o elevador foi erguido no braço por quatro homens”, referiu a médica. “Sem eles, ela não teria sido retirada dali a tempo”, disse a médica. A trabalhadora precisou ser reanimada ainda no chão, em frente ao elevador que causou o acidente. Após o procedimento de reanimação, ela foi encaminhada para tomografia e demais exames, ficando internada, submetida a rigoroso tratamento. O presidente da Santa Casa, bispo emérito Dom José Mário Stroeher, e o diretor da GV Consulting, que gerencia a Santa Casa, Newton Gonçalves, garantiram que a funcionária iria contar com todo o tratamento necessário e que o caso seria tratado “com total transparência”.
O Site Edson Costa Repórter pediu formalmente à administração da Santa Casa uma cópia do laudo técnico feito pelo hospital sobre o acidente, o que foi negado à época. Agora, quase dez meses depois, o Site teve acesso, em Brasília, dentre outras peças explicativas, ao Relatório de Análise de Acidente de Trabalho, feito pela Subsecretaria de Inspeção do Trabalho, ligada ao Ministério da Economia do governo federal. O relatório contém gravíssimas denúncias sobre a omissão da direção da Santa Casa no episódio que culminou com o acidente.
Para evitar exposição da vítima, desde a ocorrência, o Site preferiu não revelar a identidade da trabalhadora, mas o relatório da autoridade federal é enfático: “A vítima foi reanimada pelos colegas e imediatamente internada com ferimentos graves no tórax, dentre os quais fraturas de costelas causadas por compressão torácica. Caso não tivesse sido resgatada tempestivamente, muito provavelmente teria falecido por asfixia mecânica ou perfuração de órgãos vitais”, destacou o relatório governamental.
SÓ O INÍCIO
O pesado relatório poderá resultar em renúncias na Santa Casa. Segundo o documento, “foram identificados indícios de mau uso de recursos financeiros decorrentes de contratação a preço exorbitante de empresa inidônea de prestação de serviços de manutenção de máquinas e equipamentos, não sendo sequer identificado sinal de efetiva execução dos serviços pagos pela Santa Casa no elevador envolvido ao acidente”. Ainda segundo o relatório do governo, “os elevadores de ambos os setores do centro cirúrgico possuíam problemas graves e vícios grosseiros. Nenhum deles possuía projeto e responsável técnico”. A autoridade aponta a inexistência sequer de identificação de fabricante e marca, estimando que funcionassem há pelo menos trinta anos.
MISTÉRIO
Além dos mistérios que há bastante tempo cercam a gestão da Santa Casa em crise, o relatório aponta mais um. Sobre o elevador que despencou, atingindo a trabalhadora da Enfermagem, o documento técnico foi enfático: “sua capacidade de carga máxima era um mistério, em razão da ausência de projeto e de placa ou inscrição de limite de carga”. A ausência da especificação contraria normas vigentes em todos os países. O outro equipamento transportador de cargas vistoriado da Santa Casa também estava seriamente comprometido. “Os elevadores possuíam seríssimos problemas de design e eram visivelmente precários. As portas não possuíam dispositivos de segurança apropriados para evitar sua abertura com a cabine fora no nível do pavimento e também para evitar que a cabine se movimentasse com as portas abertas”, cita.
A normatização determina a existência de chaves de segurança eletromecânicas de ruptura positiva junto às portas, que realizam a dupla função de monitorar se a porta está ou não aberta (e barrar a movimentação da cabine enquanto estiver aberta), além de manter a porta fechada e travada enquanto a cabine estiver fora do nível, evitando o ingresso indevido de trabalhadores no poço no elevador. Os técnicos colocaram que, em vez disso, a Santa Casa mantinha os elevadores “com meros sensores magnéticos de contato, sem sistema de travamento algum, que permitiam livre abertura das portas mesmo com a cabine fora do nível”.
Nesta quinta-feira (10), a Série Irresponsabilidade com a Vida – Parte 2 trará outras revelações surpreendentes sobre a Santa Casa de Rio Grande.
(Foto: Site Edson Costa Repórter)

Agora eu entendo o porquê das ameaças. Deus é mais! Obrigado Édson por tua competência e garra no sentido de nós mostrar os bastidores de tanta sujeira. Forte abraço!
Edson, PARABÉNS PELO SEU TRABALHO DE EXCELÊNCIA!!
Você confirma que os absurdos com Nosso Bem Maior, a STA CASA de RIO GRANDE vão muito além do que nós, povo e cidadãos pagadores de impostos poderíamos se quer imaginar.
Seguirei, ansiosa, aguardando sua série de reportagens.
Fico muito feliz de o governo federal estar ciente de tantos detalhes. Pensava que não eramos ouvidos, que estávamos sozinhos nessa situação absurda.
DEUS NO COMANDO SEEEMPRE!!!
RIO GRANDE PRECISA COLOCAR OS PINGOS NOS ” i ” COM RELAÇÃO AOS DESMANDOS DO COMPLEXO.
Estamos juntos, nós, o povo merecemos uma saúde limpa e transparente, lutamos por nossa cidade, somos mantenedores dela, merecemos dignidade total.
Deus te abençoe, GUERREIRO!!!
Forte abraço, Edson.