A longa agonia do Hospital Santa Casa de Rio Grande atinge um nível extremo com o término, neste sábado (25), do prazo dado pelos médicos para a entidade pagar os honorários, em atraso há cinco meses. O presidente Sandro Gonçalves de Oliveira, do Sindicato Médico de Rio Grande (Simerg), declarou nesta quinta-feira (23) que a data-limite está mantida, acrescentando que são pelo menos 21 empresas de natureza jurídica prestadoras de serviço de Medicina na Santa Casa.
Segundo o Simerg, desestimulados, mais de 30 médicos já deixaram de trabalhar na Santa Casa nos últimos tempos. “A partir do próximo dia 26, todos os serviços vão ser afetados, inclusive a urgência”, declarou Sandro Gonçalves. Também em entrevista exclusiva hoje à 𝗥𝗲𝗱𝗲 𝗘𝗱𝘀𝗼𝗻 𝗖𝗼𝘀𝘁𝗮 𝗥𝗲𝗽𝗼́𝗿𝘁𝗲𝗿 𝗱𝗲 𝗝𝗼𝗿𝗻𝗮𝗹𝗶𝘀𝗺𝗼, o presidente da Santa Casa, Renato Menezes da Silveira, anunciou que nesta sexta-feira (24), às 15h, uma reunião ampla tentará assegurar a continuidade das ações do hospital, com chance de evitar a saída em massa dos médicos do hospital. Foi articulada uma solução definitiva para a Santa Casa envolvendo o Ministério da Saúde, as secretarias estadual e municipal da Saúde, o Ministério Público Federal e o Ministério Público Estadual. Segundo revelou Silveira, o trabalho está sendo conduzido pelo Núcleo Permanente de Incentivo à Autocomposição do Ministério Público (Mediar-MPRS), focado em resolver conflitos por meio de diálogo, mediação e técnicas restaurativas. “Há uma perspectiva para evitar a descontinuidade dos serviços da Santa Casa”, disse o presidente Renato da Silveira, sem antecipar detalhes. Seria algo capaz de garantir receita, deixar a Santa Casa equilibrada e poder pagar a dívida de R$ 9 milhões pelo atraso de cinco meses com os médicos, pondo as demais contas em dia.
Se a mediação ministerial for bem-sucedida, uma proposta será apresentada nas próximas horas aos médicos, tentando evitar a saída em massa dos profissionais no sábado. A reunião virtual para finalizar a proposta acontece nesta sexta-feira, às 15h, com todos os entes públicos envolvidos.
Caso não haja solução nesta reunião, o presidente da Santa Casa anunciou que será montado um plano de contingência com os órgãos de saúde para manter o hospital funcionando.
ATUALIZAÇÃO – Na noite desta sexta-feira (24), a cúpula da Santa Casa liberou uma nota de teor incompleto, mas que revela nas ‘entrelinhas’ a suposta trégua oferecida pelos médicos. O teor da nota é o seguinte: “Diante do avanço nas tratativas e das deliberações conjuntas que envolvem o Estado, a União e o Município, além do Ministério Público Estadual e do Ministério Público Federal, o prazo de paralisação do serviço previsto para este sábado (25), anteriormente estabelecido pelo corpo clínico, foi prorrogado.
Com isso, a Santa Casa manterá suas atividades normalmente, enquanto aguarda os próximos desdobramentos das negociações, previstos para a próxima semana.
As tratativas seguem de forma positiva e colaborativa, sempre visando o melhor para a instituição e para a continuidade segura dos atendimentos”.
A nota deixa de mencionar o tipo de tratativa e por quanto tempo foi “prorrogado” o prazo que a Santa Casa terá para pagar os médicos que estão com os seus honorários atrasados há cinco meses.
(Fotos: Site Edson Costa Repórter)


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