Os médicos da Santa Casa continuarão sem receber seus honorários por mais algum tempo. Eles estão com pagamentos atrasados há cinco meses e chegaram a anunciar uma saída em bloco no último sábado (25), mas resolveram dar mais um prazo à cúpula do hospital. A presidência da Santa Casa anunciou na noite desta segunda-feira (27) possuir o que chamou de “expectativa”, sinalizando um possível repasse aos médicos na primeira quinzena de maio. O pagamento, porém, depende da tramitação dos processos de liberação de valores por parte do município, estado e União. Se os recursos forem liberados, os médicos receberão na primeira quinzena de maio os 50% restantes da remuneração de novembro de 2025 e 100% de dezembro.

A presidência do hospital quer ainda ver se consegue pagar 70% de janeiro de 2026. Se houver verba suficiente, os médicos poderão receber o mês de janeiro integralmente. Já os honorários de fevereiro e março ficarão em aberto e a presidência do hospital dirá em maio quando poderá pagar esses dois meses. Os médicos irão avaliar a proposta. As portarias que formalizam os acordos ainda precisam ser publicadas para só depois os procedimentos serem concretizados. A Prefeitura pretende antecipar o equivalente a três meses de repasses do compromisso com a manutenção do pronto-socorro. O adiantamento será de R$ 1,44 milhão à Santa Casa. A medida ainda é incerta, pois os recursos somente poderão ser liberados no caso de aprovação da empresa Portos RS e do Ministério Público Federal. Os valores estão vinculados a um empréstimo concedido ao hospital no ano passado.

O governo do Estado se comprometeu a liberar mensalmente R$ 153.175,40 para habilitação de dois novos ambulatórios de cirurgia plástica reparadora para queimados e de cirurgia vascular. Outro programa derivado do SUS, mas gerenciado pelo estado, deverá ser reservado mensalmente para o hospital, que poderá ser de até R$ 600 mil.
O governo federal acena com um incremento do Teto MAC – Teto Financeiro de Média e Alta Complexidade -, limite de recursos federais que o Ministério da Saúde repassa mensalmente a estados e municípios pelo SUS. O valor mensal passará a ser de R$ 1.166.666,66. O dinheiro será destinado a um fundo municipal e, em seguida, canalizado para a Santa Casa. O combinado é que o governo federal repasse duas parcelas retroativas logo no início do novo modelo. O Sindicato dos Médicos de Rio Grande (Simerg) informou à 𝗥𝗲𝗱𝗲 𝗘𝗱𝘀𝗼𝗻 𝗖𝗼𝘀𝘁𝗮 𝗥𝗲𝗽𝗼́𝗿𝘁𝗲𝗿 𝗱𝗲 𝗝𝗼𝗿𝗻𝗮𝗹𝗶𝘀𝗺𝗼 que o corpo clínico aceitou manter o trabalho e aguardar o início dos pagamentos, previstos para maio.

(Foto: Site Edson Costa Repórter)