Os problemas da saúde em Rio Grande continuam aumentando de gravidade, sem a adoção de medidas efetivas de resolução ou mitigação das consequências.

Além de problemas envolvendo inconsistências no pagamento de trabalhadores da Santa Casa, com salários quase todo mês pagos em parcelas, e o atraso nos honorários dos médicos do hospital, a Unidade de Pronto Atendimento – UPA Junção segue enfrentando séria situação. Todos os profissionais ouvidos pela Rede Edson Costa Repórter de Jornalismo relatam o mesmo: estão trabalhando no limite, sem salário e sem respeito.

O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) e o Sindicato dos Médicos de Rio Grande (Simerg) tiveram que realizar nova Assembleia Geral Extraordinária com os médicos da UPA Junção nesta semana. Eles discutiram sobre o atraso salarial, com a queixa de que nem o salário de março foi pago aos médicos. Também trataram sobre o que o Simers chama de “questões contratuais dos profissionais”, na conturbada relação com o gestor da UPA, o Instituto Brasileiro de Saúde, Ensino, Pesquisa e Extensão para o Desenvolvimento Humano (IBSaúde). A Prefeitura tem sustentado que está rigorosamente em dia com os repasses ao IBSaúde. Participaram da assembleia com os médicos a diretora do Simers, Débora Espírito Santo, e a conselheira Renata Jaccottet Freitas.

O presidente do Simerg, Sandro Gonçalves de Oliveira, também participou. O IBSaúde não se manifestou publicamente a respeito. Os médicos da UPA Junção acabaram dando, em março, um novo voto de confiança ao IBSaúde, suspendendo a paralisação dos atendimentos eletivos programada para o dia 20 daquele mês. Os pagamentos seguem a conta-gotas, gerando a insatisfação dos profissionais.

ATUALIZAÇÃO – O presidente do Simerg, Sandro Oliveira, disse ao Site Edson Costa Repórter que ele e seus colegas médicos terão reunião com o IBSaúde nos próximos dias para aprofundar as discussões sobre pagamento de honorários e a situação geral na UPA Junção. Sandro afirmou que “a Prefeitura está organizando o pagamento do mês de março”. Segundo ele, os honorários referentes a abril já foram pagos, e os de maio acredita que devam ser quitados em seguida.

Já o médico da UPA, Alano Aleixo Pereira, fez manifestação à Rede Edson Costa Repórter de Jornalismo relatando ter ouvido na reunião que o repasse dos honorários de março “não foi realizado ao IBSaúde porque o contrato da instituição já havia encerrado. Mesmo assim, durante o mês de março, o IBSaúde permaneceu atuando na UPA Junção sem contrato vigente”. Conforme informado no encontro, o IBSaúde não dispõe, neste momento, dos recursos necessários para efetuar o pagamento dos profissionais. “A Prefeitura comunicou ao sindicato que realizará o pagamento por meio de depósito judicial”, relatou ter ouvido o médico da UPA Junção. Chamou a atenção de Alano o fato de a Prefeitura não ter informado uma data prevista para a realização desse pagamento. “Caso o recurso esteja disponível, por qual motivo o depósito ainda não foi realizado?”, questiona o profissional. Outro questionamento do médico é se a Prefeitura tinha conhecimento da irregularidade de o IBSaúde continuar atuando sem contrato na UPA. “Se o sindicato tinha conhecimento de que o IBSaúde permanecia na gestão da UPA Junção sem contrato vigente, por que essa informação não foi repassada aos médicos? Caso não tivesse conhecimento, como uma situação tão relevante, envolvendo o vínculo da instituição responsável pela gestão e o pagamento dos profissionais, não foi identificada previamente?”. O médico Alano Aleixo Pereira resumiu: “os profissionais estão quase pagando para trabalhar”.

(Foto: Site Edson Costa Repórter)