Um protesto pacífico reuniu centenas de pessoas, principalmente das comunidades pesqueiras, no Largo da Prefeitura de Rio Grande na tarde desta quinta-feira (2). O anúncio feito recentemente pelo governo federal da criação do Parque Nacional do Albardão e da Área de Proteção Ambiental (APA), em Santa Vitória do Palmar, revoltou importantes segmentos, principalmente o da pesca. Segundo as lideranças do movimento de protesto, a decisão do governo federal afeta drasticamente as atividades produtivas tradicionais, principalmente a pesca artesanal e industrial. O setor teme a proibição da captura de pescado, ameaçando o sustento de milhares de famílias. Projetos estratégicos de geração de energia renovável (eólica offshore) e a pesquisa de petróleo na chamada Bacia de Pelotas também estão entre os setores que temem ser afetados pela criação do maior parque marinho do Brasil. O parque foi criado com a intenção de proteger porções marinhas e costeiras do litoral sul do estado.

Os técnicos afirmam que se trata de uma área de reprodução e alimentação de 25 espécies, como a toninha, o cação-martelo, o lagartinho-da-praia e o sapo-boi. O protesto em Rio Grande teve a participação, além das comunidades pesqueiras locais, de São José do Norte e até de Santa Catarina. Entidades da pesca, vereadores e lideranças políticas usaram a palavra e dispararam críticas na direção do governo federal, dizendo não à criação do Parque do Albardão. O deputado federal Daniel Trzeciak e o ex-deputado federal Cláudio Diaz, ambos do PSDB, usaram a palavra e também condenaram o decreto do governo federal.

Um dos argumentos do movimento que atraiu as atenções no centro histórico da cidade colocou que, enquanto a realidade dos pescadores é ignorada, avançam regras sem base técnica clara e sem diálogo. Até um caixão com um boneco simbolizando a “morte da pesca” foi conduzido no movimento, que também percorreu o centro histórico com o uso de um caminhão de som. Os pescadores querem ser ouvidos. No protesto, iniciado às 14 horas, lideranças políticas e do setor da pesca criticaram duramente a ausência da prefeita Darlene Torrada Pereira e dos deputados rio-grandinos Alexandre Lindenmeyer e Halley de Souza, do PT. A Prefeitura estava fechada, em função de uma ordem de serviço que estabeleceu para esta quinta-feira o expediente das 8h às 14h. Em Brasília, já tramita um Projeto de Decreto Legislativo para anular a criação das unidades.

(Fotos: Site Edson Costa Repórter)