A alta direção do Hospital Santa Casa de Rio Grande vive dias tensos. Reuniões com portas e acessos controlados para impedir a quebra do sigilo das reuniões e medidas restritivas no manuseio de documentos e informações sobre as tomadas administrativas. A chefia técnica do hospital tem participado de muitas reuniões com a cúpula. Várias viagens a Porto Alegre nas últimas semanas. Em meio ao maior fogo cruzado da história do Hospital Santa Casa de Rio Grande, o aumento da tensão tem uma principal razão: a aproximação do prazo final dado pelo promotor de Justiça Érico Rezende Russo para a definição da futura gestão do hospital, que vive grave crise desde a intervenção feita pela prefeitura, em 1º de abril de 2015. Rezende Russo estabeleceu a data limite de 30 de junho para a presidência do hospital apontar a empresa escolhida.

Repousa na direção do hospital a responsabilidade de apresentar sua opção sobre qual empresa deve atuar na gestão da Santa Casa, o que poderá não ter a chancela do Ministério Público Estadual. Contudo, o MP já deixou claro numa promoção ministerial recente qual o papel do órgão, depois de receber um pedido de informações com dez itens do então presidente em exercício, pastor luterano emérito Ruben Bonato. O promotor chegou a referir que “um contrato de gestão, se não for bem, poderá ser desfeito”. Érico Russo considerou como “um absurdo” o contrato que a presidência da Santa Casa assinou recentemente com o Instituto Viva Mais- IVM, do milionário Ruy Muniz. Referindo-se ao contrato com o IVM, o promotor considerou que, se não fosse desfeito, “a Associação de Caridade Santa Casa perderia o total controle, caminhado para o seu perecimento”.

Agora, diferentes grupos especializados em gestão hospitalar apresentaram propostas, simultaneamente, à cúpula da Santa Casa e ao Ministério Público, que está debruçado nos fatos envolvendo o hospital em crise.

CHEGOU DINHEIRO HOJE

O governo gaúcho pagou nesta sexta-feira (28) uma parcela referente aos programas municipais desenvolvidos pelas prefeituras no valor de R$ 40 milhões. Também hoje o Estado repassou R$ 70 milhões que se referem aos chamados incentivos aos hospitais, o que beneficia também a Santa Casa de Rio Grande. O governo gaúcho, ao repassar o total de R$ 110 milhões, garantiu, através da Secretaria Estadual de Saúde, que fica totalmente em dia com os repasses de 2019 aos municípios. No dia 11, o governo já havia depositado na conta dos municípios gaúchos o valor da primeira parcela da dívida com as prefeituras referente aos exercícios de 2014 a 2018.

O primeiro pagamento, no valor de R$ 14,5 milhões, quitou toda a dívida empenhada com 385 municípios entre os anos de 2014 e 2017, incluindo Rio Grande. As 15 parcelas restantes quitarão a dívida do exercício de 2018 com prefeituras e hospitais municipais, totalizando R$ 200 milhões. Conforme a secretária estadual de Saúde, Arita Bergmann, dentre outras finalidades, os valores dos repasses são para programas como Equipes de Saúde da Família (ESF), Política de Incentivo da Assistência Básica, Redes de Urgência e Emergência (Samu), Assistência Farmacêutica Básica e Primeira Infância Melhor (PIM).

O ADMINISTRADOR

No início da noite, o administrador do Hospital Santa Casa de Rio Grande, consultado pelo Site Edson Costa Repórter, confirmou o recebimento de recursos oriundos do governo estadual. Segundo Régis Pinto e Silva, para a Santa Casa foram destinados R$ 1.080.000,00. Disse o administrador que o recurso será usado para o pagamento de prestadores de serviços e de fornecedores.