Um adolescente de 14 anos foi mandado embora sem atendimento médico “pelo porteiro do Hospital Santa Casa de Rio Grande”. A denúncia foi formulada na tarde de hoje (02) da tribuna da Câmara Municipal, após a mãe do estudante ter procurado o vereador Ivair Domingos Souza (‘Vavá’-MDB), membro da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, que resolveu relatar o fato em sessão plenária. Ele anunciou que a família decidiu levar o episódio ao conhecimento do Ministério Público Estadual.

Conforme o vereador, o menino foi levado ao hospital, de madrugada, gritando de dor e ao tentar atendimento na Santa Casa, o porteiro impediu o acesso, orientando a família que levasse o paciente ao Posto Médico do Parque Marinha para ser avaliado. Sem solução imediata, os familiares decidiram acatar a decisão do porteiro. O avô do menino, diante da dor aguda do neto, o conduziu à unidade do distante bairro. Após avaliação, o médico plantonista da unidade 24 horas do Parque Marinha decidiu, pela gravidade do quadro, encaminhar “com urgência o paciente de volta ao Hospital Santa Casa”.

DOR E DEMORA

O relato do caso chocou a todos. Em seguida ao pronunciamento do vereador Ivair Souza, a mãe do menino chegou à Câmara Municipal. Dali saiu determinada a levar o caso adiante. O vereador contou da tribuna que no vai e vem, o paciente acabou perdendo cerca de três horas. O médico da Santa Casa, com o quadro agravado, conduziu o paciente ao bloco cirúrgico, sendo necessário procedimento emergencial de retirada de um testículo. A informação repassada ao vereador pela família é que o jovem apresentou uma torção testicular. Trata-se de uma emergência causada pela rotação dos testículos e o consequente estrangulamento de seu suprimento sanguíneo. Um dos sintomas é forte dor escrotal.

Ivair Souza disse supor que o porteiro cumpria alguma ordem superior. “Talvez se tivesse sido repassado o caso a um enfermeiro ou a um técnico de enfermagem, o problema seria tratado como emergência e chamado um médico para avaliar melhor o quadro”, disse o vereador da tribuna. “Trabalhei na Secretaria de Saúde durante cinco anos e entendo que é preciso sempre ter bom senso”, referiu Ivair ao fazer alusão à decisão do porteiro de não chamar alguém com conhecimento na área. Mais cedo, procurado pelo Site para falar sobre alguns assuntos do hospital, o administrador Régis Pinto e Silva respondeu imediatamente, mas ponderou que se encontrava em viagem a Brasília. A Presidência da Santa Casa, instada formalmente pelo Site Edson Costa Repórter, ainda não se manifestou sobre o caso.