“Nós estamos abandonados. A cidade está atirada às traças e sem dinheiro para investimentos”. A declaração foi feita neste Dia do Trabalhador, 1º de Maio, pelo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Rio Grande e São José do Norte, Benito Gonçalves. Ele criticou a classe política da cidade e classificou a Câmara de Vereadores como “uma piada e uma zorra total”. Disse que Rio Grande vive hoje um dos piores momentos de sua história. Gonçalves se diz inconformado com a demora para a retomada efetiva das operações de construção naval pela Ecovix, no Estaleiro Rio Grande. Para ele, as 100 vagas anunciadas representam pouco diante da expectativa de 2 mil a 3 mil postos de trabalho na construção dos nove navios contratados pela Transpetro, subsidiária da Petrobras.

Ao afirmar que “a cidade está morta”, o dirigente citou o que chamou de “falta de organização no município”. Anunciou que o sindicato tomou a dianteira de um trabalho inédito para unir grandes empresários locais visando a contratação de trabalhadores da cidade, evitando trazer mão de obra de outras regiões. “O sindicato está começando o trabalho para salvar a cidade”, afirmou Benito. “Estamos todos aguardando a retomada do setor naval”, disse, alegando que o número de metalúrgicos desempregados é muito grande. Segundo ele, nada do que foi prometido começou, havendo só promessas. Benito elogiou o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, mas questionou a atuação da Ecovix, vencedora da licitação para construir os navios em Rio Grande.

O dirigente disse que o volume de aço trazido para a cidade é insignificante para iniciar os trabalhos. Afirmou ter informação de fora do país de que as chapas só agora estão sendo produzidas. Disse ainda não ter notícias sobre o início dos cursos de capacitação anunciados. Em vídeo publicado pela manhã em sua rede social, o sindicalista acusa a Ecovix de “obrigar” funcionários a gravarem depoimentos favoráveis à empresa. Até o início da noite, a empresa não havia se manifestado. Nos últimos dias, a Ecovix divulgou vídeos mostrando histórias de trabalhadores que passaram por todas as etapas: cadastro no site, prova teórica, teste prático e, finalmente, o crachá no peito.

(Foto: Site Edson Costa Repórter)