A situação do Hospital Santa Casa de Rio Grande é tão grave que a direção pediu à prefeitura o adiantamento dos recursos destinados ao funcionamento do Pronto-socorro. A empresa GV Consulting, contratada no início de julho para gerir a Santa Casa, revelou o tamanho do déficit mensal. A receita líquida mensal é de R$ 5,5 milhões, mas as despesas chegam a aproximadamente R$ 8 milhões, segundo confirmou Luciano Lopes, um dos novos administradores do hospital. A GV Consulting ainda não confirma o total da dívida, que no início do ano chegava a R$ 250 milhões.

A empresa é de consultoria, mas faz a gestão do hospital em crise após o presidente da entidade, bispo emérito Dom José Mário Stroeher autorizar a contratação da empresa sediada no Paraná. A direção afirma que conseguiu reduzir a despesa mensal em R$ 397 mil renegociando contratos, mudando o sistema de compras e “economizando em ligações telefônicas”.

Luciano Lopes garante que houve um incremento de R$ 1,7 milhão da receita em relação ao mês anterior, o que teria sido possível com a reativação de alguns serviços prestados pelo SUS. Ainda nas informações prestadas a alguns vereadores durante encontro no legislativo, Luciano disse que “esse aumento só será sentido daqui a seis meses, quando houver a realização da avaliação da Secretaria da Saúde”.

PAGAMENTO DOS FUNCIONÁRIOS

O pagamento dos funcionários continua em atraso e está sendo feito de forma parcelada, em três e até quatro vezes, o que vem gerando inúmeros protestos. Há funcionários que não conseguem comprar alimentos, por conta da situação instalada. Esgotados, muitos trabalhadores continuam em atividade, mas fazem tratamento psicológico. Outros estão afastados para tratamento de saúde. Há salários pendentes ainda dos últimos meses do ano de 2018, além do 13º Salário e outras obrigações descumpridas pela gestão do hospital mergulhado em crise.

O administrador admitiu ser sabedor da iminência de uma greve de funcionários como consequência dos atrasos de pagamento. “Uma das alternativas que estão sendo buscadas é a negociação com bancos para que assumam o pagamento dos funcionários”. Assim, segundo ele, o hospital poderá parcelar o valor para a instituição financeira. A GV Consulting quer que a prefeitura estude a viabilidade de adiantamento do valor de repasse referente ao Pronto-socorro. O município repassa R$ 600 mil por mês para o atendimento de emergência.

BISPO QUER APOIO POLÍTICO

O presidente da Associação de Caridade Santa Casa de Rio Grande, Dom José Mário Stroeher, aproveitou a conversa com as lideranças e pediu “apoio político para o hospital”. O presidente Stroeher preferiu não falar da situação financeira da entidade de 2015 até a atualidade. Contudo aponta que nos últimos dois anos a direção está tentando junto à Caixa Econômica Federal renegociar uma dívida de mais de R$ 60 milhões. O bispo afirma que o valor é de um empréstimo, feito em 2008, referente à construção do complexo de Cardiologia e Oncologia da Santa Casa. Segundo o presidente, R$ 1,2 milhão são descontados mensalmente do dinheiro recebido do Sistema Único de Saúde– SUS para o pagamento da dívida, sendo que R$ 900 mil são referentes aos juros incidentes.